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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O caso do filme terrorista


Hoje eu estava dando uma olhada descomprometida no facebook e li a seguinte frase em uma lista de conselhos sobre etiqueta: No cinema, abra as embalagens de comida antes do filme começar.
Quando li abra as embalagens antes do filme..., imediatamente me vieram à cabeça duas ideias malucas. A primeira delas foi “Nossa, como esses filmes em 3D estão evoluídos. Se eu não abrir rapidamente o meu lanche, pode ser que saia uma mão lá de dentro da tela e roube minha pipoca doce”. A segunda coisa que pensei foi: “Que filme será esse que quer abrir meu lanche antes de mim? Não assisto a ele nem que o Brad Pitt seja o protagonista!”

Ilustração: Fabricio Pinho

Percebi que a possibilidade de um filme competir comigo pra ver quem abre meu lanche primeiro era muito absurda. Então li a frase novamente e desfiz a confusão. É que o fato de (e não o fato do) o autor da frase ter juntado a preposição de e o artigo o criou uma relação semântica entre as palavras antes e filme que, na realidade, não existe. A verdadeira relação deve ser estabelecida entre antes e a oração o filme começar e essa relação é estabelecida pela preposição de. Por isso não devemos, NESSE CASO, fazer a contração da preposição com o artigo.
Vejam só: É diferente dizermos Apesar do frio, fomos todos à festa e Apesar de o frio ter chegado, fomos todos à festa. No primeiro caso, existe relação entre apesar e frio. Então é necessário que haja contração entre preposição e artigo, mas, no segundo caso, não, porque o que se deseja é criar uma relação entre fato e o frio ter chegado. Simples, não é?

Ora, não vamos dar ao leitor o trabalho de reler nosso texto para entender o que queremos dizer. E, no cinema, abra as embalagens de comida antes de o filme começar. Estamos combinados? 

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