Toda vez que falo com alguém que faço doutorado em
linguística, a pessoa imediatamente fala “- Você caiu do céu! Me esclarece uma
dúvida...”. Pronto! Eu gelo. Já sei que não vou saber a resposta. Com vocês
acontece a mesma coisa? “- Sou médico.” “- Ah, que bom porque estou com uma
dor de cabeça, o que você acha que pode ser?” E fica todo mundo meio amarelo,
quem perguntou e quem não soube responder.
Outro dia, passei por isso com meu chefe, o Dr. Paulo. Fui
à sala dele (justamente me despedir porque eu estava entrando de licença para
fazer minha pesquisa de doutorado) e veio a bomba: “- Anya, eu estava discutindo
com a minha noiva esse fim de semana e o correto é maqueio ou maquio?” Eu não
sabia! Fiquei olhando para o Dr. Paulo, pedindo a Deus que o telefone tocasse,
a secretária entrasse, o alarme de incêndio soasse, qualquer coisa que me
tirasse daquele sufoco... e nada. Eu devia ter respondido um simples “- Ah, Dr.
Paulo, não sei. Em dois segundos consulto aqui no meu dicionário (que já fica no meu celular para essas
emergências)”. Mas eu me lembrei do MARIO e respondi: “- É maqueio!” Não era.
Aí, o estagiário, solícito como todo bom estagiário,
consultou o Google e veio correndo me corrigir. “- Não é não! É maquio!”
Maldito Google... Maldito MARIO!
O MARIO é um acróstico formado pelas iniciais dos verbos que
são conjugados da mesma forma que o verbo odiar. Esses verbos são MEDIAR, ANSIAR,
REMEDIAR, INCENDIAR e ODIAR. O M é de mediar e não de maquiar. É um lembrete interessante,
mas exige cautela e boa memória. Agora,
sejam sinceros: quem, em sã consciência sairia afirmando que a frase “Eu sempre
medeio as discussões na minha família” está correta? Pois está! Ah, faça-me o
favor, Sr. Mário, seja bonzinho da próxima vez.
Desculpe-me a falta, Dr.Paulo, não fiz por mal. É que essa
língua brincalhona adora pregar peças na gente!
Têm um tempinho? Então leiam mais sobre os verbos irregulares clicando aqui.
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