No último CD do Zeca Baleiro, “O disco do ano”, tem uma
música muito legal chamada Zás, que diz assim:
O sol irá quarar, o sol irá despir
O sol irá se pôr, o sol irá luzir
Enxuga
o pranto vai amanhecer
Enxuga o pranto vai amanhecer
Vai amanhecer enfim
Enxuga o pranto vai amanhecer
Vai amanhecer enfim
Reparem em uma coisa: o compositor usa dois tipos diferentes
de futuro do indicativo, um com o verbo auxiliar no futuro “irá quarar” e o
outro com o auxiliar no presente “vai amanhecer”. Apesar de o primeiro uso, com
o auxiliar no futuro, estar muito na moda, ele não está previsto nas gramáticas
da língua culta. Então é melhor que
usemos o auxiliar no presente ou o verbo principal no futuro (Enxuga o
pranto VAI AMANHECER ou Enxuga o pranto AMANHECERÁ enfim).
Se vocês prestarem atenção, vão perceber que os repórteres da
Globo têm usado muito essa peculiar forma de futuro, mas nunca vi o William Bonner fazê-lo. Sigamos os bons e seremos um deles! Observem e
divirtam-se!
E o Zeca Baleiro não é bom? É excelente, assim como seu
último CD. No amor e na arte podemos tudo. E viva a licença poética!
Querem
escutar a música Zás? Vale a pena!
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